A Internet das Coisas (IoT) permite criar redes de monitorização distribuídas pelo território, capazes de recolher continuamente dados sobre os níveis de água e disponibilizá-los numa plataforma central. Com informação atualizada, histórico de medições e alarmes automáticos, os municípios passam a dispor de mais ferramentas para acompanhar zonas críticas e apoiar a tomada de decisão.
É neste modelo que se enquadra o ecossistema SmartHive, integrando sensores, conectividade, tratamento de dados, dashboards, alarmística e interoperabilidade com outros sistemas municipais.
Porque é importante monitorizar o nível da água?
A observação pontual de um curso de água permite conhecer a situação naquele momento. No entanto, para compreender a sua evolução é necessário recolher dados de forma contínua.
Um sistema de monitorização permite acompanhar alterações ao longo de horas, dias, meses ou anos, criando um histórico sobre o comportamento de cada local.
Esta informação pode ajudar a identificar subidas do nível da água, comparar episódios, reconhecer padrões e acompanhar pontos particularmente vulneráveis.
A monitorização ganha especial importância em locais como:
- Ribeiras e pequenos cursos de água;
- Canais e sistemas de drenagem;
- Passagens hidráulicas;
- Zonas urbanas vulneráveis a inundações;
- Áreas próximas de infraestruturas críticas;
- Pontos com marcas históricas de cheia.
Em vez de depender exclusivamente de observação presencial, as equipas municipais passam a ter acesso remoto e contínuo à informação.
Sensores IoT para monitorização remota
Sensores de nível instalados nos locais definidos pelo município realizam medições periódicas e transmitem os valores através da infraestrutura de comunicação disponível. Para este tipo de aplicação, a tecnologia LoRaWAN apresenta características particularmente adequadas, sobretudo quando é necessário instalar equipamentos autónomos e transmitir pequenas quantidades de dados a longas distâncias.
Os sensores podem ser preparados para funcionamento no exterior, com alimentação por bateria e configurações de medição e transmissão adaptadas às necessidades de cada ponto.
A frequência das medições também pode ser definida de acordo com as características do local e os objetivos da monitorização.
O que acontece aos dados depois da medição?
Depois de recolhidos, os dados precisam de ser transmitidos, validados, normalizados, armazenados e apresentados de forma compreensível.
É aqui que entra a plataforma SmartHive.
A SmartHive funciona como plataforma IoT central para os diferentes pontos de monitorização, permitindo acompanhar tanto os valores medidos como o estado dos equipamentos.
Os responsáveis podem consultar dados atuais e históricos e acompanhar a evolução das medições ao longo do tempo.
Mapas para uma leitura integrada do território
A representação dos sensores num mapa permite compreender rapidamente onde estão instalados e consultar o estado de cada localização. Esta abordagem facilita a identificação de locais onde existem valores relevantes ou alarmes ativos e ajuda a relacionar os dados com o contexto geográfico de cada zona.
Alarmes automáticos para apoiar uma resposta mais rápida
Uma das principais vantagens da monitorização IoT está na possibilidade de definir regras sobre os dados recebidos. Com a SmartHive, cada ponto pode ter valores de referência e limiares de alarme configurados de acordo com as características do local. Por exemplo, podem ser estabelecidos diferentes níveis de severidade à medida que o nível da água aumenta.
Quando determinado limiar é atingido ou ultrapassado, a plataforma pode gerar automaticamente um alarme e enviar notificações aos utilizadores responsáveis através dos canais configurados.
O histórico das ocorrências fica igualmente disponível para consulta posterior. Desta forma, as equipas não precisam de acompanhar permanentemente todos os sensores. A própria plataforma identifica as situações que exigem atenção.
Dados históricos para compreender o comportamento dos locais
O histórico permite analisar a evolução dos níveis, comparar períodos e estudar o comportamento dos diferentes pontos monitorizados. Os dados podem ser visualizados na plataforma ou exportados para tratamento externo, permitindo apoiar análises técnicas, relatórios municipais e outros processos de planeamento. À medida que o histórico aumenta, o município passa a construir uma base de conhecimento sobre os locais monitorizados, complementando a experiência das equipas com dados objetivos recolhidos no terreno.
Da plataforma vertical à Plataforma de Gestão Urbana
A SmartHive pode funcionar como plataforma vertical responsável pela gestão dos sensores e, simultaneamente, disponibilizar a informação à Plataforma de Gestão Urbana (PGU) do município.
A integração pode ser realizada através de APIs, permitindo disponibilizar informação estruturada sobre cada ponto de monitorização. Os dados georreferenciados podem igualmente ser disponibilizados em formatos adequados à integração com sistemas municipais.
Interoperabilidade para territórios inteligentes
A SmartHive permite estruturar e mapear telemetrias e atributos provenientes de diferentes equipamentos para modelos de dados configuráveis.
Sempre que aplicável, esta arquitetura pode ser alinhada com Smart Data Models da FIWARE ou modelos NGSI-LD, promovendo a interoperabilidade e reutilização da informação.
Segurança no acesso e transmissão da informação
A SmartHive suporta gestão de utilizadores, perfis e permissões, autenticação de duplo fator e mecanismos de autenticação para integrações através de API.
As comunicações entre plataforma, equipamentos e sistemas externos podem ser efetuadas através de canais cifrados, protegendo a informação durante a transmissão.
A plataforma disponibiliza ainda registos de auditoria, permitindo acompanhar ações realizadas pelos utilizadores.
Um serviço que começa antes da instalação dos sensores
A W4M presta um serviço integrado que contempla a análise das necessidades, implementação, configuração, parametrização e integração da solução SmartHive.
Antes da entrada em funcionamento são avaliados os locais de instalação, as necessidades operacionais, a conectividade e os parâmetros que devem ser monitorizados.
Posteriormente são configurados aspetos como frequência de medição, periodicidade de transmissão, limiares de alarme, dashboards, utilizadores e mecanismos de integração.
Esta abordagem permite adaptar a solução às características concretas de cada território e às necessidades das equipas municipais.
De dados isolados a uma gestão mais preventiva
Mais do que acompanhar o nível da água, o objetivo é proporcionar aos municípios informação atualizada e estruturada que permita monitorizar, antecipar e agir.
Num território cada vez mais conectado, esta capacidade de transformar dados recolhidos no terreno em informação operacional é uma componente essencial para uma gestão mais informada, resiliente e preparada para responder a situações de risco.

